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Exposição coletiva "MadrePérola"



Quando: até 14 de janeiro
Onde: Centro Integrado de Cultura (CIC)
Endereço: Av. Governador Irineu Bornhausen, 5600 - Agronômica
Quanto: Gratuito
Evento no FB: www.facebook.com/events/1883786321651276

Reunindo os trabalhos de oito mulheres em torno de temáticas como maternidade e feminino, a exposição “MadrePérola” abre no dia 1° de dezembro, às 19h, no Museu da Imagem e do Som (MIS), no Centro Integrado de Cultura (CIC), em Florianópolis.

Gratuita e aberta para o público, a mostra coletiva ficará exposta até dia 14 de janeiro de 2018, disponível para visitação de terça a domingo, das 10h às 21h.

Entre as artistas estão professoras, pesquisadoras, alunas e egressas dos cursos de Artes Visuais do Centro de Artes (Ceart) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc).

“A infinidade de expectativas que socialmente recaem sobre a mulher-mãe é proporcional ao peso da sua escolha por filhos, sejam eles biológicos ou afetivos. É eternamente esperado das mulheres que concebam pérolas. Sempre. Pérolas são dores travestidas de beleza”, afirmam as artistas Ana Sabiá, Clarissa Borges, Juliana Crispe, Lu Renata, Paula Huven, Priscila Costa, Roberta Barros e Silvana Macêdo, cujo interesse é discutir nas artes o materialismo ー termo inglês que indica a luta feminista contra os modelos patriarcais e machistas ー nas artes visuais.

Os trabalhos serão apresentados de formas diferenciadas, com instalações, videoarte ou fotocolagem. Os títulos – “Parto e Êxtase”; “Devastação”; “Madonas Contemporâneas”; “Tomar para Si”; “Livre Demanda”; “Eu Sou Outro Você”; “Travesseiros de Memórias”; “Na Terra do Nunca”; e “Sombra de Névoa”; sinalizam um conjunto de provocações que surgem como pontos de partida para reflexões capazes de ajudar a desconstruir o mito de que a maternidade é o paraíso. Segundo as artistas, as imagens, “carregadas de cor, sabor, textura e resquícios de sal e mar”, mexem com um tema caro e delicado, o mito da maternidade que poucos ousam questionar.

Sinopse​ ​dos​ ​projetos

“Parto​ ​e​ ​Êxtase”​ ​(2016),​ ​Clarissa​ ​Borges
A sexualidade do corpo feminino foi historicamente contida e controlada pela medicina, pela sociedade, pela família e pela religião através de seus discursos e representações. A maternidade pode ser considerada uma das formas mais duradouras de contenção do corpo feminino. Talvez pelo distanciamento entre a imagem tradicional (mítica) da mãe e a sexualidade feminina, nos pareça hoje estranho, uma mulher se tornar mãe, parir e amamentar com prazer sexual. A ideia dominante imposta sobre a imagem da (boa) mãe é a do sacrifício, da amorosidade, da paciência, e algumas vezes até da violência, mas raramente a do prazer.

“Devastação”,​ ​(2014)​ ​Paula​ ​Huven
Na série Devastação o que vemos de imediato é um encontro. Mãe e filha sentam-se diante de um espelho falso, através do qual está a câmera. Aqui não se trata de um olhar direto, mas de um olhar enviesado: mãe e filha estão lado a lado, olham-se uma para a outra através do espelho. Mas o que poderia ser menos inquietante, porque aparentemente distante, beira o insuportável: como estar diante de um espelho e olhar o outro, se o espelho é o artifício que devolve a minha própria imagem? O que acontece quando eu olho para o espelho e o que lá encontro é a imagem do outro? Essa inversão desestabiliza de imediato uma ordem da relação: misturam-se nos olhos e nas imagens, são extraviadas do próprio corpo, tecidos no corpo do outro. O rosto da mãe, o rosto da filha, instâncias de uma intimidade avassaladora, tornam-se, também, de uma estrangeiridade absoluta. Para Lacan, a devastação é a difícil trama de uma demanda infinita de amor que impossibilita a filha de se separar da mãe para constituir-se como mulher.

“Madonnas​ ​Contemporâneas”​ ​(2012-2013),​ ​Ana​ ​Sabiá
Nesta série foram investigados alguns dos muitos sentidos da maternidade na contemporaneidade, utilizando-se da linguagem fotográfica para construir elos afetivos e retratos de nove mulheres-mães que vivenciaram os primeiros doze meses subsequentes ao parto. Os retratos das mães, junto a seus filhos, foram realizados nas casas das participantes e contém um elemento comum a todas: um varal de roupas. Neste foram colocados objetos, especialmente selecionados pelas mulheres retratadas, que servem como signos de comunicação visual/plástica a respeito de suas experiências maternas. Tais objetos são, aqui assumidos, como transmissores de sentidos, arquitetam discursos visuais e comunicam sua biografia, tanto utilitária quanto afetiva, amalgamadas às das retratadas. Ana Sabiá traz como referência a Madonna, símbolo do perfeito amor materno na arte cristã ocidental, sobrepondo a esta perspectiva noções feministas e abordagens contemporâneas do maternal na arte.

“Tomar​ ​para​ ​Si”​ ​(2016),​ ​Roberta​ ​Barros
A performance “Tomar para Si” foi realizada em salas de espera do Hospital da Mulher Heloneida Studart, no Rio de Janeiro. Na ação, que teve duração de 20 horas e 40 minutos, distribuídas de forma irregular entre os dias 5, 6, 8 e 9 de setembro de 2016, a artista tricotou um cordão umbilical com o comprimento suficiente para a criar uma barriga prenhe e, no fim, o cordão umbilical foi desfeito, esvaziando a barriga. O trabalho, cujo registro em vídeo integra esta exposição, propõe uma reflexão sobre o empoderamento da mulher, a liberdade de decisões sobre seu próprio corpo e a implementação de políticas públicas de planejamento familiar e aborto.

“Livre​ ​Demanda”​ ​(2017)​ ​Juliana​ ​Crispe
Deveria ser natural a amamentação em público. Qual o constrangimento que causa às pessoas uma mãe amamentando seu filho? “Livre Demanda” propõe pensar nas mulheres em espaço de poder, crianças em espaços de poder, vida em espaços de poder. No Brasil, o direito de amamentar no espaço público é garantido por lei em apenas cinco Estados: Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso. Para mães e ativistas do aleitamento materno, essas leis são necessárias porque inibem a repressão vivenciada por muitas mães na cidade. Lutar pelo direito da mãe que amamenta em poder usufruir da cidade da mesma forma que os outros cidadãos é uma das formas de garantir a equidade de gênero no espaço urbano. Lugar de amamentar uma criança ou um bebê é onde ele sentir fome!

“Eu​ ​Sou​ ​um​ ​Outro​ ​Você”,​ ​(2017)​ ​Juliana​ ​Crispe
Lia avó, Lia filha. Um eu neta, eu mãe, presente nestes entre tempos. Um nome que as liga, os afetos que as atravessam e que me atravessam... me perfuram. Uma extensão do que fui, sou, serei... Nessa interlocução de um encontro que se dá por camadas e sobreposições atemporais eu sou um sou você propõe pensar nesse encontro impalpável, no imaterial que se revela pela matéria da videoarte. Uma passagem de condução à outra. Um sistema estelar. Ressonâncias em que meu corpo vibra nessas possíveis constelações.

“Travesseiros​ ​de​ ​Memórias”​ ​(2009)​ ​Lu​ ​Renata
A instalação fotográfica “Travesseiros de Memórias” emerge sob uma fina camada de poeira do tempo que se denuncia no amarelo do papel e nas cores alteradas da fotografia. Para acessá-la, desempacotei o esquecimento e busquei discursos que dessem conta de um passado que não passa. Dez anos após a primeira mamada, revirei o baú, senti seus cheiros, removi as traças e encontrei a boca de comer e os olhos de esperar que apostavam que tudo ia dar certo se ele ficasse grudado no meu peito. No olhar para o vazio e nas frases que custaram a sair, vi os anos que estão nesse espaço do entre. Entendi essas imagens como guardiãs da dor e do gozo da primeira sugada. Intensa, desconfortável, necessária. Entendi a maternidade como um porvir, nela cabe um universo, fotografei com medo de esquecer como eu olhava o tempo passar.

“Na​ ​Terra​ ​do​ ​Nunca”,​ ​(2017)​ ​Priscila​ ​Costa
A maternidade ainda é utilizada como encarceramento feminino. Mesmo que existam os avanços em alguns aspectos da vida da mulher contemporânea, a maior parte do trabalho de cuidado das crianças continua sendo destinado às mães. É do desconforto com esta realidade, e do desejo de começar a mudar esta situação que nasce a série de foto-colagens “Na Terra do Nunca”. O procedimento é simples: o rosto das mães retratadas com seus filhos em espaços cotidianos é substituído por rostos masculinos retirados de revistas antigas, que sempre representavam a mulher como serviçal do homem e do lar. Ao inverter a posição dos homens e mulheres no discurso tradicional patriarcal, “Na Terra do Nunca” coloca em questão os papéis parentais no contexto contemporâneo.

“Sombra​ ​de​ ​Névoa”,​ ​(2013-17)​ ​Silvana​ ​Macêdo
“Sombra de Névoa” é uma vídeo instalação que explora questões de solidão, memória e a perda da mãe na infância. Mostra o sonho de uma jovem mulher. Imersa em lembranças, ela revive um momento traumático da sua vida: quando criança ela encontra o corpo inerte de sua mãe. Estarrecida, a criança penetra num espaço que parece separar a vida e a morte, tentando compreender o grande abismo que se estabeleceu entre ela e sua mãe. A fluidez da memória e dos espaços subconscientes são refletidos nas imagens subaquáticas que compõem os vídeos da instalação em multicanal. O título deste trabalho se baseia em um verso do poema “Eu”, de Florbela Espanca.
Exposição coletiva "MadrePérola"


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