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Solo de dança contemporânea "Recluso", com Diogo Vaz Franco



Quando: 13 e 14 de maio, às 20 horas
Onde: Centro de Artes (Ceart), Udesc
Endereço: Av. Madre Benvenuta, 1907 - Itacorubi
Quanto: Gratuito
Evento no FB: www.facebook.com/events/665538106919638

O solo de dança contemporânea "Recluso", de autoria de Elke Siedler e performado pelo bailarino Diogo Vaz Franco, estreia nos dias 11 e 12 de maio, às 20h, no Teatro SESC Prainha. Baseado na obra de Oscar Wilde, cria uma ambiência sobre a transitoriedade da dor em estado de reclusão.

Após a estreia, Diogo entra em cartaz no teatro da UDESC com duas apresentações nos dias 13 e 14 de maio, às 20h. Todas as apresentações são gratuitas. Os ingressos serão distribuídos 1h antes da apresentação - sujeito a lotação.

Entender a profundidade do trabalho de Elke Siedler é voltar-se para dentro. As fragilidades que tratam o corpo do bailarino Diogo Vaz Franco em cena são carregadas em doses particulares pelos transeuntes deste século e de outrora. O corpo continua a sentir a pressão das deslealdades do mundo sob suas costas, a isolar o berro. O solo de dança contemporânea Recluso constrói um caminho de fluidez existencial a partir do movimento. Não tem pretensão de representar uma dor, mas criar uma ideia de transitoriedade do sofrimento, sem desprezá-lo como condição inferior da existência.

Essa dança nasceu de uma parceria artística entre Elke e Diogo. O bailarino é formado em artes cênicas pela Universidade do Estado de Santa Catarina, UDESC. Esboçou a primeira página deste projeto em 2008. Na época encontrou na obra "De Profundis", do escritor britânico Oscar Wilde, do final do século 19, a base que o estimulava para entrar em processo criativo. Wilde foi condenado a dois anos de prisão e trabalhos forçados apenas por ser homossexual, condição proibida pela sociedade vigente. O romance envolvendo o jovem Lord Alfred Douglas, apelidado de Bosie, o levou ao cárcere, onde escreveu uma série de cartas destinadas ao amante maldito, ao traidor que virou as costas ao homem que lhe devotou amor.

A história tocou Diogo. "Achei a narrativa muito forte, o modo que ele lidou com a situação. Um homem da alta sociedade enclausurado nos julgamentos e suas próprias vulnerabilidades. Ele elaborou a amargura da dor de ter experienciado o amor por um homem mimado, ingrato e insensível, numa obra literária ácida, expondo seus sentimentos e suas contradições. O lugar do erro lembrado diariamente, a repressão, a sexualidade transformada em poesia. Encontrei muita potência artística nesta obra", explica Diogo.

Com o projeto aprovado pelo Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura 2015, após sete anos engavetado, Diogo resgatou a proposta e convidou a artista Elke Siedler para compor e dirigir o trabalho. "Não é uma obra literal, muito menos de representação de um personagem. Seguimos no entendimento que todo corpo tem momentos de dor e o que você faz com a sua dor? Oscar Wilde não fugiu dela, pois o corpo estava confinado numa cela", complementa.

Pensar a dor, o corpo na situação de dor, uma situação de aprofundamento e experimentação da dor permeou os processos criativos de Elke Siedler. "A ideia é que o fluxo do movimento de Diogo instaure um ambiente poético da obscuridade/sofrimento da existência humana. Ele não está interpretando nada. O que importa é o que emerge deste fluxo do movimento, como uma metáfora, e a compreensão desta corporalidade delineada e compreendida durante os 45 minutos de apresentação", conta Elke.

E dentro dessa ambiência arquitetada, Diogo vive as direções dos entendimentos. Encontra brechas no percurso, imuniza a resistência, desmanchando-se muitas vezes na carência do afeto. Entrelaçado nos labirintos da angústia, ele descobre aberturas, edifica outras sustentações, cria possibilidades. "Tudo nesta vida se transforma, inclusive a dor. Permanecendo na dor, a própria dor muda, a própria produção de sentido e significação da dor muda, a própria qualidade da dor dentro de mim muda. Porque tudo na vida muda. Então, eu quero construir essa experiência com o público. E por quê falar sobre isso? Na sociedade em que vivemos, sofremos uma pressão biopolítica de estar sempre feliz, uma pressão gerenciada para o sucesso, sempre. Acabamos virando um produto para a sociedade. Acabamos nos transformando num avatar de nós próprios. A questão aqui não é negar, mas entrar no sentimento, nos aprofundar em aspectos não vistos e quistos pela nossa sociedade. Sem vitimização, é outro aspecto de estar neste mundo", resume Elke.

Ficha Técnica
Direção Coreográfica: Elke Siedler
Bailarino: Diogo Vaz Franco
Música: Nelson D.
Luz: Priscilla ​Costa​
Foto: Cristiano Prim Solo de dança contemporânea "Recluso", com Diogo Vaz Franco

Categorias: Maio 2016
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